Como o médico deve escrever o laudo para o INSS entender a sua doença
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Como o médico deve escrever o laudo para o INSS entender a sua doença

Na hora de pedir um auxílio por incapacidade ou uma aposentadoria por incapacidade permanente, o laudo do seu médico é uma das provas mais importantes. Só que muita gente leva à perícia um documento que, na prática, diz muito pouco. Um laudo mal escrito enfraquece um caso que, no fundo, era forte. Veja como orientar o seu médico.

Por que o laudo importa tanto

O benefício por incapacidade não é concedido pela doença em si, mas pela incapacidade para o trabalho que ela causa. Duas pessoas podem ter o mesmo diagnóstico e apenas uma estar incapacitada. O laudo é o documento que mostra ao perito o quanto aquela doença limita a sua vida e o seu trabalho. Se ele só informa o nome da doença, deixa de contar a parte que decide o pedido.

O que um bom laudo precisa ter

  • Identificação completa — seu nome, o nome do médico, o número do CRM, a especialidade, além de data, assinatura e carimbo. Laudo sem data ou sem assinatura perde muito valor.
  • O diagnóstico e o CID — a doença por extenso e o código correspondente (CID).
  • A descrição da limitação funcional — este é o ponto-chave. O médico deve descrever, em palavras claras, o que você não consegue mais fazer: permanecer em pé, carregar peso, concentrar-se, fazer movimentos repetitivos, deslocar-se, etc.
  • A relação com o seu trabalho — sempre que possível, ligar a limitação à atividade que você exerce (pedreiro, motorista, costureira, professor).
  • O tempo estimado de afastamento — se a incapacidade é temporária ou definitiva, e por quanto tempo se estima que você ficará sem condições de trabalhar.
  • O tratamento em curso — remédios, sessões, cirurgias já realizadas ou previstas, e a resposta ao tratamento.
  • O histórico — desde quando a doença começou e como ela evoluiu.

Os erros que mais atrapalham

  • Laudo que só traz o CID, sem descrever a limitação;
  • documento antigo, de meses ou anos atrás, sem retratar a situação atual;
  • letra ilegível, sem carimbo ou sem assinatura;
  • uma frase genérica como "paciente incapaz", sem explicar o porquê;
  • ausência dos exames que comprovam o que o laudo afirma.

Leve também os exames

O laudo ganha força quando vem acompanhado das provas que o sustentam: exames de imagem, resultados de laboratório, receitas, relatórios de internação e o histórico de tratamento. Leve tudo organizado por data. O perito precisa enxergar a coerência entre o que o médico afirma e o que os exames mostram.

Documentos para levar à perícia

  • documento de identidade com foto;
  • laudo e relatórios médicos atualizados;
  • exames que comprovem a doença;
  • receitas e caixas dos medicamentos em uso;
  • a carteira de trabalho ou comprovante da sua atividade.

Perguntas rápidas

O laudo do meu médico substitui a perícia do INSS? Não. A perícia é obrigatória; o laudo é a prova que fortalece o seu caso diante do perito.

Vale um laudo antigo? É melhor levar um atual, que descreva a sua situação de agora. Documentos antigos servem para mostrar o histórico.

Preciso de laudo de especialista? Ajuda, principalmente quando a doença é da área daquela especialidade, mas o essencial é que o documento descreva bem a limitação.

Nota do advogado

Na prática, vejo muitos pedidos negados não por falta de doença, mas por falta de prova bem feita da incapacidade. Peça ao seu médico que descreva o que você não consegue mais fazer no dia a dia e no trabalho, e não apenas o nome da doença. Leve o laudo atualizado, com data, carimbo e assinatura, junto com os exames. Documentação clara e organizada faz o perito enxergar a sua real situação — e evita que um direito legítimo se perca por um detalhe formal.

— Antônio Carlos Gonçalves Pereira, OAB/DF 59.104

Fonte oficial: Lei 8.213/1991, art. 59. Este artigo é informativo e não substitui a análise individual do seu caso.

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